Após perder disputa contra Galo da Madrugada, Atlético-MG diz que respeita 'manifestações culturais'
14/01/2026
(Foto: Reprodução) Entenda disputa judicial entre Galo da Madrugada e Atlético-MG
Após perder uma batalha judicial contra o Galo na Madrugada, um dos blocos mais tradicionais do carnaval do Recife (PE), o Atlético-MG afirmou, nesta quarta-feira (14), que "respeita e reconhece a relevância das manifestações culturais e populares".
O time mineiro, cujo mascote é um galo, tinha reivindicado judicialmente que o grupo recifense fosse proibido de usar a marca "Galo Folia", sob a justificativa de violação de direitos de propriedade. No entanto, a Justiça Federal rejeitou o pedido e condenou o clube a arcar com as custas do processo. O Atlético-MG não informou se vai recorrer da decisão.
"O Atlético esclarece que a ação judicial em questão visa apenas anular o registro da marca 'Galo Folia' em atividades que englobam o segmento esportivo, no qual possui diversos registros prévios da marca 'Galo'. O Clube respeita e reconhece a relevância das manifestações culturais e populares ligadas ao carnaval, festa que faz parte da identidade e da alegria do povo brasileiro, bem como a tradição do Bloco Galo da Madrugada", disse o time, em nota.
O Atlético-MG afirmou, ainda, que possui mais de 300 registros da marca "Galo" e suas variantes junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e que "permanece atento sempre que um novo registro interfira em seu segmento de atuação".
"Assim, o Atlético reafirma seu compromisso com a cultura, o diálogo institucional e a proteção responsável de suas marcas, em especial na esfera esportiva", completou o clube.
Entenda
A ação foi movida pelo Atlético-MG com o argumento de que o uso da palavra "Galo" por terceiros poderia gerar confusão com as marcas associadas ao clube mineiro.
No entanto, a Justiça entendeu que não há conflito direto entre as marcas, já que elas atuam em segmentos distintos — o futebol profissional e o entretenimento carnavalesco. A sentença foi publicada pela juíza Quézia Silvia Reis, da 9ª Vara Federal do Rio de Janeiro.
“Ainda que haja semelhança entre as expressões ‘GALO’ e ‘GALLO’, os sinais, em seus conjuntos, são suficientemente distintos, razão pela qual não geram risco de confusão ou associação indevida para o público consumidor [...] Não vejo as partes como concorrentes diretos, a ponto de um aproveitar ou desviar o público-alvo do outro", diz trecho da decisão.
Para o Judiciário, o Atlético possui proteção sobre suas marcas ligadas ao esporte e a produtos licenciados, mas isso não impede o uso do termo por outras instituições em contextos diferentes.
Com isso, foi mantido o registro do nome do bloco pernambucano, que existe há décadas e é considerado uma das maiores manifestações culturais do carnaval brasileiro.
O que diz o bloco Galo da Madrugada
Em nota, o bloco de carnaval Galo da Madrugada disse que recebeu a decisão com tranquilidade e que a Justiça "reconheceu a trajetória histórica do Galo da Madrugada, que há mais de 40 anos leva cultura e alegria às ruas do Recife".
Ainda segundo a nota, o bloco diz que respeita o Clube Atlético Mineiro e que as partes pertencem a áreas diferentes: cultura e esporte.
Montagem de fotos com o mascote do Atlético-MG e o Galo da Madrugada
Pedro Souza e Marlon Costa/Pernambuco Press
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