Gleisi Hoffmann diz que Ricardo Lewandowski avisou a Lula sobre contratos privados de consultoria
28/01/2026
(Foto: Reprodução) Escritório de Lewandowski recebeu R$ 5 milhões do Banco Master por serviços de consultoria
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann (PT), afirmou nesta quarta-feira (28) que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski avisou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre consultoria que prestava a empresas ao ser convidado para assumir a pasta em 2024.
"Quando o presidente convidou o ministro Lewandowski, ele sabia que o ministro tinha contratos privados. O ministro informou que ia cumprir a lei e desvencilhar-se de todos os contratos, o que fez. Não há problema, irregularidade nenhuma, crime nenhum em ele ter contratos de consultoria. O ministro prestou relevantes serviços para o país", disse Gleisi.
Ao ser questionada se Lewandowski avisou especificamente sobre o contrato com o Banco Master, a ministra respondeu que o ex-ministro "deve ter avisado" Lula. A declaração foi dada durante um café da ministra com jornalistas nesta quarta.
Gleisi afirmou que Lewandowski cumpriu a lei e se afastou de consultorias privadas. O escritório de advocacia de Lewandowski recebeu R$ 5 milhões do Banco Master para prestação de serviços de consultoria jurídica.
O contrato foi mantido mesmo depois que ele assumiu o cargo de ministro da Justiça, em fevereiro de 2024. A informação foi divulgada pelo portal "Metrópoles". Segundo a reportagem, Lewandowski firmou um contrato com o banco de Daniel Vorcaro por indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA).
Arquivo - Gleisi Hoffmann e Ricardo Lewandowski durante sessão para votar impeachment de Dilma Rousseff
Marcos Oliveira/Agência Senado
"Quero aqui lembrar que toda essa apuração feita em relação ao Banco Master foi feita sob a gestão do ministro Lewandowski, a gestão da Polícia Federal. Foi na gestão do ministro Lewandowski que o presidente do Master, o Vorcaro, foi preso", afirmou a ministra.
Gleisi minimizou a tentativa da oposição de ligar o governo de Lula ao caso do Banco Master e apoia as ações do Banco Central e a investigação da Polícia Federal.
"O governo tem mostrado que está empenhado em saber as responsabilidades dessa fraude e punir. Foi na gestão do Galípolo, do Banco Central, que se deu a intervenção do banco, da liquidação, e foi na gestão do Ministro Levandowski que a Polícia Federal fez uma apuração rigorosa, inclusive com a prisão do presidente do Master", declarou.
Segundo a ministra, a saída de Lewandowski do ministério não tem ligação com as investigações envolvendo o Banco Master. No início do ano, Lewandowski pediu demissão do cargo e entregou ao presidente Lula uma carta de saída do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Na carta, afirmou que a saída da pasta se dá por "razões de caráter pessoal e familiar" e que exerceu "as atribuições do cargo com zelo e dignidade".
"As coisas não estão relacionadas. De maneira nenhuma têm relação com isso. O ministro Lewandowski pediu pra sair, já tinha há algum tempo falado com o presidente, queria descansar, achou que já tinha cumprido a sua missão, a sua função, queria dedicar-se à família", disse Gleisi.